Amor e Sexo

Homens compram mais comprimidos para o sexo!

11 Dezembro, 2019

Afeta homens de todas as idades, mas principalmente os mais velhos. Curioso é que a venda dos famosos comprimidos azuis disparou e já há jovens a recorrer a eles.

A disfunção erétil, ou vulgarmente chamada impotência sexual, afeta homens de qualquer faixa etária, embora atinja idades mais avançadas e “corresponde à incapacidade constante ou recorrente de obter ou manter uma ereção que permita uma atividade sexual satisfatória durante pelo menos três meses”,
segundo a Saudecuf.

De um modo geral, esta doença afeta 29 por cento dos homens entre os 40-49 anos, 50 por cento entre os 50-59 e 74 por cento entre os 60-69. Apesar de ser uma doença benigna, tem impacto na vida sexual do doente com repercussões psicológicas e familiares. Mais, altera a autoestima dos homens afetados e muitos preferem não procurar ajuda, o que tende a agravar o problema. Cerca de 90 por cento dos casos de disfunção erétil é tratável.

Eles inseguros e elas exigentes

Segundo dados da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), avançados pelo Jornal de Notícias, o consumo de medicamentos para este problema tem vindo a aumentar. Em 2016 venderam-se, em Portugal, 732.936 caixas de comprimidos para a disfunção erétil que afeta cerca de 14 por cento da população masculina portuguesa.

As vendas dos medicamentos representaram mais de 27 milhões de euros, o número mais elevado de sempre. Até abril de 2017, 237.851 caixas de comprimidos foram comercializadas. Este aumento, segundo o psicólogo e sexólogo Fernando Mesquita, deve-se a vários fatores.

“Os medicamentos, principalmente o ‘comprimido azul’, vieram revolucionar a vida sexual dos casais. Enquanto antigamente com o avançar da idade a ideia de prazer sexual ia diminuindo, hoje em dia é quase obrigatório que as pessoas sejam sempre sexualmente funcionáveis. A idade já não é uma condicionante, porque podem-se usar os medicamentos, há esperança”, começa por explicar o especialista. Mas o consumo dos comprimidos milagrosos também já chegou aos mais novos.

“Muitos homens que não tem dificuldade sexual e usam-nos para se tornarem super-homens. Há jovens, na casa dos 20 anos, que usam para terem maratonas sexuais, ou porque se sentem inseguros porque não conhecem as parceiras e querem garantir que cumprem, ou para durarem mais tempo”, partilha o sexólogo, alertando que isso traz problemas.

“Tornam-se dependentes, porque como tomam muitas vezes pensam que se não tomarem não conseguem ter a ereção”, avisa. Fernando Mesquita acredita que o facto das mulheres reclamarem também o seu prazer sexual, torna os homens inseguros. “Antigamente, as mulheres não tinham a possibilidade ou liberdade de exigirem ao homem prazer sexual, agora, cada vez mais, estão dispersas para o desejo e isso torna-os inseguros para esta exigência”, alerta.

Mulheres preferem que não tomem

Este problema traz alterações à vida do casal. “Muitas vezes o que acontece é que o homem arrasta o problema, não procura ajuda, sente-se menor enquanto homem, questiona- se e quando procura a mulher, esta já está saturada com este problema”, alerta, explicando que a terapia de casal deve ser feita em conjunto. “É aconselhável virem em casal porque os dois precisam de ajuda. No fundo, é um problema delas. Na terapia trabalhamos a dificuldade sexual, a comunicação do casal, porque quando não estão bem não há comunicação, e trabalhamos a autoestima, a mulher questiona se o problema é dela”, frisa.

E termina: “Há muitas mulheres que não aceitam que eles tomem os comprimidos, elas tem a ideia
que há ereção só pelo medicamento e não pelo desejo que sentem por elas. Mas a verdade é que eles podem tomar e ir às compras ou jogar às cartas que nada acontece, tem de haver desejo, excitação e estimulação.”

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Texto: Ana Lúcia Sousa; Fotos: iStock

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