Amor e Sexo

Não sabe o que dizer quando os seus filhos lhe falam de sexo? Nós ajudamos

17 Maio, 2019

Não sabe o que dizer quando os seus filhos lhe falam de sexo? Até tem abertura para falar sobre o tema mas tem medo de errar na abordagem? O sexólogo Fernando Mesquita explica como deve agir e quando este tema deve começar a ser discutido em família.

O tema é a sexualidade! A abordagem tanto pode ser feita pelos pais como pelos filhos. O importante neste artigo é perceber, através da ajuda do psicólogo/sexólogo Fernando Mesquita, como responder às questões dos seus filhos ou como abordar este tema antes de iniciarem a sexualidade.

Atenção que o tema sexualidade não abrange apenas a dita relação sexual, mas também a descoberta do corpo a partir  da infância. Saiba como deve lidar com estas questões e impedir que os seus filhos a excluam dos procedimentos da vida sexual deles.

Como devem os pais reagir e contornar o tema “sexo” quando abordado pelos filhos?

Os pais devem ter a noção que a sexualidade não se limita à genitália. É muito mais que isso. Envolve a pessoa no seu todo e na relação com outros. Portanto, ao falarem de sexo, não devem esquecer de abordar questões como os afetos, respeito, individualidade, e a saber dizer “não” e a respeitar o seu corpo.

Quando falarem com os filhos, é importante que procurem conciliar os termos que as crianças usam com os termos corretos para todas as partes do corpo, desde a infância. Por exemplo, o termo correto para toda a parte da anatomia vaginal feminina é “vulva” (“vagina” só deve ser utilizado quando querem falar sobre o canal vaginal). Recorrer ao calão ou nomes engraçados para falar sobre os órgãos genitais, pode transmitir sinais de desconforto ou vergonha em abordar seriamente estes assuntos.

É suposto os pais, a uma determinada altura, falarem sobre este tema com os filhos por iniciativa própria?

O ideal é que a criança se sinta à vontade para abordar o assunto com os pais. Mas, para tal, isso é um processo que os pais devem fazer desde a infância transmitindo a ideia que a criança pode confiar neles e que há espaço para partilhar os sentimentos.

Apesar de não existir uma idade concreta para começar a falar de sexualidade com os filhos, em geral após os dois anos parece ser uma boa altura. Alem disso é importante referir que a educação, em geral, é construída não apenas através do diálogo mas na forma como vivemos o dia-a-dia, nas opiniões, problemas e valores do mundo.

Uma vez que, nos primeiros anos de vida, grande parte da aprendizagem é feita de forma vicariante, ou seja através da observação do comportamento dos outros e das suas consequências. A criança que observa à sua volta relações afetuosas, de amor e respeito, terá modelos de identificação positivos para um desenvolvimento harmonioso. Por outro lado, se a comunicação que observa for perturbada, e a sexualidade vista como algo feio, sujo, negativo e tabu, provavelmente quando for adulta, sentir-se-á inibida e culpabilizada em situações de intimidade.

Em que idades começam a surgir, geralmente, estas questões por parte dos filhos?

As questões das crianças, e a forma como os pais devem lidar com elas, varia muito de acordo com a idade.

2/3 anos – É uma fase muito importante para a presença de brincadeiras, abraços e carinhos. Ao mesmo tempo a criança deve começar a aprender a respeitar o seu corpo. É por volta desta idade que começam a surgir questões como “de onde vêm os bebés?”. Os pais podem responder, por exemplo, que as mulheres têm óvulos e que os homens têm espermatozoides e que estas são duas “sementes especiais” que geram os bebés.

3/6 anos – é a fase em que as crianças começam a focar-se nas diferenças genitais entre “os meninos” e “as meninas”. Os pais podem aproveitar para promover os papeis de género abertos, por exemplo, dizendo que as “meninas” podem gostar de jogar à bola e os meninos de brincar às “casinhas”.

7/11 anos – as perguntas sexuais começa a surgir mais frequentemente e de uma forma mais complexa. Procure responder com tranquilidade às duvidas que forem surgindo. Caso não saiba como responder, aproveite a oportunidade e procurem os dois um bom livro de sexualidade e vejam essas e outras respostas em conjunto.

Adolescência – o tema sexo/sexualidade já deverá ter sido abordado muito antes desta fase. É importante falar sobre orientação sexual; gravidez na adolescência, métodos contracetivos; e infeções sexualmente transmissíveis. Nesta fase é importante procurarem um bom livro sobre sexualidade.

Quem costuma ter mais dúvidas, eles ou elas?

As dúvidas são apresentadas das duas partes, desde muito cedo. A curiosidade sobre as diferenças anatómicas e a sensação de prazer sentida, ao tocarem na zona genital são, geralmente, os primeiros motivadores dessas dúvidas.

Quem toma mais a iniciativa para falar sobre o assunto, as raparigas ou os rapazes?

Mais que o sexo da criança, a iniciativa para falar sobre o assunto com os pais, parte do sentimento de abertura e aceitação que existe entre eles. Ou seja, se forem uns pais castradores, e cujo assunto sexo seja tabu na família, certamente independentemente do sexo da criança não haverá grande espaço para esclarecimento de dúvidas.

Por que razão os jovens, atualmente, iniciam a sua vida sexual mais cedo?

Hoje em dia, a idade média de início de atividade sexual é entre os 15 e os 16 anos para os rapazes e entre os 12 e os 13 anos para as raparigas. Com um menor controlo, por parte dos pais, e uma maior liberdade dos filhos desde muito cedo, estão instalados os ingredientes para que os jovens iniciem a vida sexual mais cedo. Além disso, a Internet veio facilitar a possibilidade de conhecerem novas pessoas e partilhem experiências, que pode aumentar a necessidade de pertença a um determinado “grupo”.

Por vivermos num universo digital, de que forma é que isso influencia a sexualidade dos jovens?

A par de uma maior permissividade por parte dos pais, que passam mais tempo fora de casa a trabalhar, o acesso à Internet e às redes sociais permitem um maior acesso a todo o tipo de informação, incluindo pornografia. O tempo livre, que antes era utilizado em atividades como brincar, ou praticar desporto, agora é focado na Internet e redes sociais. O problema não está no acesso à informação sobre sexo, mas sim ao tipo de informação a que estes jovens acedem!

Texto: Marisa Simões/WIN

 

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