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Ângelo Rodrigues assume «episódio traumatizante»: «Estive dois meses sem olhar para a minha perna»

7 Dezembro, 2019

Em entrevista a Cristina Ferreira, Ângelo Rodrigues falou abertamente sobre a luta que travou contra um problema de saúde que o pôs às portas da morte.

Ângelo Rodrigues está finalmente de volta de volta à televisão. E regressa pela mão de Cristina Ferreira, que conduz, na noite deste sábado, uma emissão especial d’O Programa da Cristina inteiramente dedicada ao ator, depois de este ter estado entre a vida e a morte.

“Onde estão as muletas?”, começou por questionar a apresentadora, surpreendida com a fácil locomoção do convidado e acabando por salientar a “surpresa muito boa” por o poder receber em sua casa.

A conversa acontece mais de três meses depois de o galã da ficção da SIC ter dado entrada, em estado grave, no Hospital Garcia de Orta, e um mês e meio depois de ter saído daquela unidade hospitalar de Almada.

 

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Ângelo Rodrigues explicou finalmente a sua versão dos factos, referindo-se ao seu caso como um “episódio traumatizante”. Referiu que, numa altura da sua vida em que estava com “uma carga de trabalho enorme e num stress profissional bastante grande”, começou a sentir que o seu corpo “estava a falhar”. “Estava com um princípio de febre. Tinha quebras de força… Estava um bocado em baixo. Não partilhei com ninguém, porque acho sempre que me consigo vale a mim próprio”, recordou.

Quando começou a ter “febres e vómitos”, percebeu que “alguma coisa não estava bem”. Seria uma gripe?”, questionou Cristina. Ângelo disse não saber. “Passei uma semana antes de ir ao hospital a tomar antibióticos”, revelou.

Só se dirigiu ao Garcia de Orta quando foi “obrigado” pela equipa de profissionais com quem estava a trabalhar – deduz-se que no programa Virar O Jogo, apresentado por Iva Domingues no Canal 11, no qual assumia o papel de DJ residente.

“Quando fui obrigado. estava a fazer um programa e a produção perguntou- me se eu erra capaz. Já não me sentia capaz, mas não consigo falhar profissionalmente com ninguém. Sempre achei que conseguia fazer o programa até ao fim. Aceitaram com a condição de no final do programa ir ao hospital. foi isso que aconteceu. Fui de urgência para o hospital e viram que o meu quadro clínico estava péssimo e mandaram-me para casa com a minha autorização, porque no dia a seguir eu tinha outro programa e eu queria lá estar”, reforçou.

Ângelo Rodrigues entrou e saiu do hospital com um “quadro clínico assombroso”. “Achava sempre que ia passar por cima. Estava mesmo a terminar esse trabalho e a seguir ia ter umas férias para mim. ia ter tempo para recuperar, para me recompor…”, acreditou.

Mas não aconteceu. “O corpo colapsou. Por mais que possas transpirar saúde… sou a prova viva que a vida pode ser um sopro e que de repente já não estamos cá”.

 

“Pensei que estavam a brincar comigo”

 

O relato não ficou por aqui. Do momento em que deu entrada no hospital até lhe ser induzido o coma, pouco tempo passou. Ângelo não se lembra de nada. “Estive quatro dias em coma. Quando acordo, acordo sem noção do que aconteceu. Não me lembro absolutamente de nada desses quatro dias em que estive em coma e dos três dias anteriores. Tive uma amnésia temporária.”

“Vi toda a gente triste a minha volta, mesmo o corpo médico, e eu tentava perceber o que tinha acontecido”, continuou. Só depois é que houve uma explicação: “Explicaram-me que tinha estado em coma. Pensei que estavam a brincar comigo. Juro. Explicaram-me que tive uma septicemia, uma falência dos órgãos vitais, que fez com que eu ficasses numa cama durante dois meses. Foi muito difícil encaixar isso como verdadeiro, como uma coisa que aconteceu.”

“Estive bem próximo de não estar aqui a falar contigo”, vincou em conversa com Cristina.

 

Nunca olhou para a perna

 

Ângelo Rodrigues continuou revelando que nunca, durante o período de internamento, tivera coragem de confrontar a realidade e perceber as mazelas que aquele problema de saúde trouxeram ao seu corpo.

“Sabia que alguma coisa tinha acontecido com a minha perna. Não quis ver. Estive dois meses sem olhar para a minha perna e só no último dia é que tirei ligaduras e vi as marcas que este acidente trouxe ao meu corpo”, confessou.

 

Sete cirurgias em dois meses

 

O quadro clínico era, de facto, instável. Mas nunca Ângelo deixou de acreditar na sua plena recuperação. “Não houve um segundo do tempo em que estive internado em que achei que não ia conseguir ou que não ia recuperar a cem por certo. Foi essa força indestrutível que encontrei algures dentro de mim que me alimentou. E essa era uma característica que ainda não conhecia dentro de mim”, deixou escapar.

Ângelo Rodrigues surpreendeu ainda tudo e todos quando revelou que foi submetido a sete intervenções cirúrgicas e não a seis, como disseram, na altura, os seus representantes. “No total fiz sete operações. E estou aqui”, riu-se.

As primeiro cinco operações aconteceram ainda o ator estava em coma. “Todas as intervenções que fizeram foi para garantir a minha sobrevivência”, frisou, não escondendo a felicidade por estar a viver uma “segunda oportunidade”.

 

Iva Domingues surpreende Ângelo Rodrigues

 

Depois da presença em estúdio de um amigo de 12 anos de Ângelo Rodrigues, que acompanhou permanentemente, de perto, o ator no hospital, Cristina Ferreira anunciou uma nova surpresa para o seu convidado especial: uma mensagem enviada pela antiga namorada Iva Domingues.

“Olá, Ângelo. Quando me pediram este vídeo, pensei um bocadinho sobre o que haveria de dizer. É sempre muito estranho falar sentimentos, sobretudo os mais íntimos, os mais pessoais, em frente a uma câmara. Estou a a gravar este vídeo na Cidade do Futebol, no canal 11. Nós tínhamos e temos um lema desde o primeiro dia deste canal: ‘acreditar no impossível’. De repente, este lema faz todo o sentido na minha mensagem”, começou por dizer a apresentadora, com quem Ângelo mantém uma forte ligação de amizade.

E continuou: “Só pelo facto de estar a fazer esta mensagem, já me sinto agradecida e feliz. Quero dizer que estas cá, que estas bem, que estás mais forte do que nunca, que estás com uma energia e um foco incríveis e que, tal como disse alguém, um dia a coragem é a escada por onde sobem as outras virtudes.”

Iva Domingues realçou ainda que estará sempre presente na vida do último namorado que se lhe conheceu. “Eu e aqueles que te amam cá estaremos, no primeiro degrau ou no último, sempre para te apoiar. Bem-vindo. É uma nova vida. Gosto muito de ti. Vou gostar sempre muito de ti. Estou muito feliz que estejas de volta. Um grande beijo e até já”, rematou.

A emoção era visível no rosto de Ângelo Rodrigues. “Não sei lidar com isto. Só tenho a agradecer. Foi impressionante o carinho que ela teve e o esforço dela de me ir visitar tantas vezes, de me levar comida, de almoçar comigo. Foi muito revelador. Tivemos uma história muito bonita. Pelas circunstâncias da vida, pelos caminhos de cada um, afastámo-nos, mas isso não quer dizer que as pessoas não possam manter uma amizade e o amor.”

 

A nova imagem de Ângelo Rodrigues

 

Com o pesado a ser ultrapassado, Ângelo Rodrigues tem agora de aprender a lidar com a sua nova imagem, na qual se salienta a cicatriz que ocupa grande parte da sua perna em que houve a infeção. “Viver em paz com a minha auto-imagem tem sido a minha maior luta. Ter consciência de que o meu corpo nunca mais vai ser o mesmo… É só uma questão estética”, relativizou.

“Mas tu não és o teu corpo, és a tua alma. O corpo não interessa”, contrapôs Maria Joaão Abreu, a sua mãe em Golpe de Sorte, que surpreendeu o ator em estúdio, tal como Cecília Henriques e Carolina Carvalho, que também integraram o elenco da série da SIC.

Foi então que Cristina Ferreira confrontou Ângelo Rodrigues com o a obsessão pelo corpo que muitas vezes lhe foi associada ao longo deste período. O ator recuou à sua adolescência para justificar: “Meus amigos, é só por uma questão de autoestima. Quando era adolescente, era muito magrinho, tinha uma autoestima bastante baixa, não gostava do que via ao espelho. Sofri bullying durante três anos da minha vida, numa fase em que os alicerces da minha personalidade estavam a ser criados, dos 12 aos 14 anos. Para todos os efeitos, tem mossa para o resto da vida, porque ainda não temos um domínio cognitivo suficiente e uma capacidade de conseguir olhar para as coisas com distância e perceber o caminho de cada coisa. Então, há um trabalho, enquanto adulto, de conseguir remendar isso.”

 

De volta à ficção da SIC

 

Finda esta entrevista, os espectadores terão de esperar pouco tempo para voltar a ver o ator na antena da estação de Paço de Arcos, já que o mesmo foi escalado para um telefilme alusivo à quadra natalícia e que vai dar continuação à história da série Golpe de Sorte.

 

Texto: Dúlio SIlva; Fotos: Redes Sociais

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