Nacional

Gustavo Santos: A perda de um filho, a culpa do abandono do pai e a saída de Querido Mudei a Casa

17 Outubro, 2020

Gustavo Santos revela que a mulher sofreu um aborto, como reagiu quando soube que não ia apresentar Querido Mudei a Casa e como cresceu sem o pai.

Gustavo Santos, 43 anos, é um homem novo. Mudou-se para o Alentejo, onde constituiu família e onde se reencontrou com ele próprio. Em conversa com Manuel Luís Goucha, no Conta-me deste sábado (17) na TVI, Gustavo Santos revela o sofrimento que foi crescer com a culpa do abandono do pai, o medo de constituir família, conta que a mulher sofreu um aborto e como reagiu quando soube que não ia apresentar Querido Mudei a Casa.

“Isto podia ter dado muito errado comigo, eu cresci sem pai, nunca tive uma referência masculina que me servisse de exemplo. Eu via os meus colegas na escola… um dia ia a mãe buscar, outro dia ia o pai.. e a mim faltava-me uma peça. Eu comecei a pedir á minha mãe um pai, na ingenuidade de uma criança. E a minha mãe casou-se. Sempre foi um homem extraordinário, mas não era um homem que ela amava”, revela o o apresentador.

Gustavo Santos assume que viveu num ambiente desestruturado e como a mãe sempre o culpou pelo fim do casamento. “Tinha dois meses quando o meu pai foi embora. Fiquei a viver sete anos com a minha mãe e depois com um homem que ela escolheu casar-se. Ele era bom para toda a gente, mas a minha mãe não o amava. A minha mãe casou-se com aquele homem porque pensou primeiro num pai para mim do que num marido para ela”, revela, explicando que a mãe mudou a partir do momento em que ele nasceu.

“Ela perdeu o homem da vida dela e eu fui muito culpabilizado por isso, porque quando nós idolatramos alguém, qualquer coisa que corra mal nós vamos culpar essa pessoa… E ela culpou-me sempre. Ela verbaliza-me isso: ‘Por causa de ti é que o teu pai se foi embora’. É muito violento”, sublinha.

Manuel Luís Goucha quis saber como é que ele ultrapassou isso. “Por isso é que disse que isto podia ter corrido muito mal. Acho que fui guiado. Sou um homem de fé, mas não tenho paciência para Igrejas, não gosto e acho que é tudo uma grande farsa. Acredito em Deus e no grande amor. Acho que fui muito protegido, quando nasci a minha mãe foi-me por nas mãos de Deus e se calhar funcionou”, explica, para depois acrescentar:

“Eu e a minha mãe fizemos um trabalho de perdão, porque eu também não fui o filho perfeito para ela. Fui um filho revoltado. Fui culpado porque chorava muito à noite até aos dois meses de idade? Sou culpado porque ela casou com um homem que ela escolheu? Eu cresci como sendo o culpado.  A pior coisa que podemos fazer a um ser humano é culpá-lo de uma coisa, porque a culpa tem um peso tremendo, tira a esperança. A responsabilidade é sempre do próprio.”

Gustavo Santos e o Querido Mudei a Casa

Gustavo Santos recordou o dia em que soube que ia deixar de apresentar o programa Querido Mudei a Casa e esclareceu o que pensa sobre João Montez, que o vai substituir no programa. “Fiquei chocado, naquele segundo fiquei chocado. Estava à espera de uma coisa e foi outra. O que eu disse foi que desejava sorte ao João porque é um programa de uma grandiosidade humana gigante. Eu não estou a fazer e desejo a maior sorte ao João”, sublinha.

O autor de livros de auto ajuda explica ainda que fez questão de falar com João Montez. “Quando vi a notícia que eu criticava ferozmente o João, liguei ao Samuel Fortuna, o realizador do programa (e marido de Cláudia Borges, do Fama Show), que é o homem que aguenta tudo aquilo, e disse que lhe ia enviar um mensagem de voz para ele entregar ao João. E ele assim fiz. E fiz o mesmo com a Cristina e pedi-lhe para ela fazer chegar essa mensagem ao João porque eu preciso que esse rapaz saiba que eu nunca  disse nem nunca diria uma coisa daquelas”, afirma.

O apresentador garante ainda que gosta de fazer televisão, mas que não precisa dela para viver. “Fiquei surpreendido com a notícia, mas acredito sempre que se já não me querem é porque aquilo já não é para mim. Gostava de voltar a fazer televisão, eu não preciso dela para viver,  mas sei que eu sou um dos grandes comunicadores do país, não tenho a mínima duvida. Porque eu falo de amor, e há muito poucas pessoas  a falar de amor. E eu gostava que houvesse um projeto na TVI, ou onde fosse”, afirma para a seguir elogiar Cristina Ferreira.

“Falo em TVI porque eu já sentia Cristina. Percebo o que ela quer fazer e reconheço como ela é tanta vezes injustiçada. Eu já lhe disse que ela faz bem a tanta gente, mas a maioria ainda não conseguiu perceber. Ela é verdadeira inspiradora, é corajosa. Não concordo com  tudo o que ela diz e faz, mas acho que é uma mulher que pode trazer muito, porque tem poder para isso.”

Gustavo aproveita ainda para dizer que não faz televisão para “encher chouriços”. “Para mim televisão é verdade, é emoção, é transformação e mudança. Se houver um programa para mim assim, eu faço se não houver eu não faço. Se calhar nunca mais volto à televisão, mas eu sou um apaixonado pela televisão”, garante.

Medo de constituir família e o drama do aborto

Gustavo Santos mantém uma relação feliz e saudável com Sofia Lima e o apresentador garante que foi ela que o fez mudar de rumo. “Eu deixei de ser o homem que me habituei a ser para ser quem sou. Era um homem que estava muito confortável, estava com relacionamentos, ia tendo as minhas aventuras, antes da Sofia – é importante as pessoas experimentarem-se com respeito, prazer é fundamenta na vida -, os meus livros estavam a vender à séria, estava bem na televisão, estava bem materialmente, só que às vezes o conforto faz com que a gente se perca… E eu ia chutando para canto o maior medo da minha vida, que era constituir família. Porque a referência que eu tinha era que a família era uma merda. Era só dor, sofrimento, ameaças…  e eu não queria aquilo para mim. Esta mudança dá-se porque eu conheço a Sofia. O amor dela é tão cristalino que dá quase para tocar”, sublinha.

É nesta altura que Sofia aparece e lhe deixa uma mensagem mostrando que ele é o homem da vida dela. Aproveita ainda para recordar um dos momentos mais difíceis da vida dos dois. “Eu tive um aborto e isso foi um momento que nos ligou muito e que nos curou e que nos fez resgatar um potencia e uma força que nós pensávamos que  estava escondida”, ouve-se. Gustavo assume que foi uma grande dor, principalmente para Sofia.

“Foi entre o Salvador (três anos) e o Xavier (seis meses). Nós estávamos no hospital, ela com o procedimento que é muito doloroso e eu andava a dançar músicas africanas fechado num gabinete só com umas cortinas para ver se ela se consegui rir e aliviar… Eu escolhi a Sofia como a mulher para me dar a mão e enfrentar o meu grande medo, constituir família.

Dança salvou-lhe a vida

Gustavo Santos pertenceu à boys band, Hexa Plus, nos anos 200o e admite que tal o salvou. “A dança salvou-me a vida, porque era bom, porque até lá era o culpado de tudo. Eu era tão insuficiente para o meu pai que o levou abandonar-me… Se me pedires para definir o meu pai eu digo que ele é um homem com sentido de humor, é um gajo que tem piada e das poucas vezes que eu senti derramar amor por ele digo que é um homem lindíssimo, mas a partir daqui o meu pai nunca se apresentou ao serviço. Se me pedires para definir o meu pai além disto eu não consigo, ele nunca se apresentou nem como pai nem como avô. Eu gosto de acreditar que o meu pai tem um coração muito grande, uma enorme capacidade de amar, mas que infelizmente vive trancado dentro dos medos… ele terá as suas razões”, temina.

Texto: Ana Lúcia Sousa

 

Siga a Revista Maria no Instagram

partilhar | 0 | 0

 
Top