Depois de Eddie ter estado no apartamento onde os McCann passaram férias, e de ter reagido em dois locais, sinais de que tinha estado ali um cadáver, é a vez de a cadela Keela entrar. Keela está treinada para identificar vestígios de sangue. Esta cadela mostrou interesse nos mesmos locais que o cão Eddie. Ao terceiro dia de trabalhos na Praia da Luz, os cães são também levados à casa onde se hospedavam os McCann com os filhos gémeos. Eddie, o cão que detectava cadáveres, alertou para o peluche deixado para trás pela menina.
Jim Gamble, ex-diretor executivo do Centro de Proteção Infantil e Proteção On-line (CEOP), uma unidade policial afiliada à Agência de Crime Organizado Grave (SOCA) no Reino Unido, diz, taxativamente, que suspeitou dos pais desde o início da história. «Estatisticamente falando, é mais provável terem sido os pais ou alguém próximo da criança», afirma.
Desaparecida há 90 dias
Nesta altura, e com novas provas que podiam indicar um envolvimento dos McCann no desaparecimento da filha, as Autoridades portugueses pedem a Crime, o treinador de cães, que investigue os carros usados pelos McCann e pelos amigos nessas férias. Cerca de 20 viaturas foram investigados. Dos dez que farejou, Eddie ladra ao pé da porta do condutor de um Renault cinza, utilizado pelos McCann. Keela, a cadela do sangue, também sinaliza vestígios suspeitos. E alerta ainda para qualquer coisa no lado direito do porta bagagens.
Os cães forenses foram ainda usados em pertences dos McCann. O cão reagiu a roupas de Kate, sendo estas apontadas como tendo odor a cadáver. Justine McGuinness, relações públicas dos McCann, acaba por pedir ajuda a um colega, uma vez que os pais de Maddie estavam debaixo de fogo. Esta nova figura, David Hughes, leva os McCann a um programa católico de domingo.
Desaparecida há mais de 100 dias
Nesta fase, as acusações ao casal começam a escalar. Há artigos que implicam que o casal sedou a filha e os britânicos vêm-se obrigados a reagir. Em entrevista a Sandra Felgueiras, à data, negaram ter dado aos filhos qualquer tipo de medicação. No entanto, Anthony Summers, autor do livroÀ Procura de Maddie, recorda que nas horas seguintes ao desaparecimento, apesar de todo o alvoroço, barulho e pessoas a entrarem e a sairem do quarto de onde desaparecera a menina, os dois irmãos continuaram a dormir profundamente.
«Saíram dali para outro apartamento ainda a dormir», recorda Gonçalo Amaral. Ao The Sun, o pai de Kate dava uma entrevista onde admitia que a filha pudesse ter dado Calpol a Madeleine. Calpol é um medicamento para crianças contra as dores e para ajudar a dormir.
A 4 de setembro, as Autoridades portugueses recebiam os resultados iniciais das provas científicas que tinham enviado para o Reino Unido, para análise. Davam como garantido que havia sangue de Maddie na mala do carro dos McCann. Kate é então chamada à PJ de Portimão e à sua espera tinha não só uma horda de jornalistas como muitos populares. O interrogatório duraria cerca de 11 horas. Na manhã seguinte, teve de voltar. Foram-lhe colocadas mais de 40 questões que indiciavam que ela estava relacionada com o acidente fatal da filha e que tinha ocultado a sua morte. Recusou-se a responder a todas. Foi constituída arguida.
As questões a que Kate McCann recusou responder
1. No dia 3 de Maio de 2007, pelas 22h00, quando entrou no apartamento, o que viu, o que fez, onde procurou, o que manuseou?
2. Procurou dentro do armário do quarto do casal? (disse que não respondia)
3. (Exibidas duas fotografias do armário do seu quarto) Pode descrever o seu conteúdo?
4. Por que razão o cortinado por detrás do sofá defronte da janela lateral (cuja fotografia lhe foi exibida) está mexido? Alguém passou por detrás desse sofá?
5. Quanto tempo demorou a busca que fez no apartamento a seguir à detecção do desaparecimento da sua filha Madeleine?
6. Por que disse desde logo que Madeleine fora raptada?
7. Partindo da premissa de que a Maddie havia sido raptada, por que deixou os gémeos sozinhos em casa para ir ao Tapas para dar o alarme? Até porque o suposto raptor podia ainda estar no apartamento.
8. Por que não perguntou aos gémeos, naquele momento, o que havia acontecido à irmã ou por que não lhes perguntou mais tarde?
9. Quando deu o alarme no Tapas o que disse concretamente e quais as palavras?
10. O que aconteceu depois de dar o alarme no Tapas?
Leia as restantes perguntas aqui.
Siga a Revista Maria no Instagram