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Lembra-se de Susana de Peso Pesado? Esteve na miséria e à beira de uma bulimia nervosa

14 Março, 2019

Susana Henriques perdeu 100 dos 170 quilos que tinha desde que entrou em Peso Pesado, SIC, em 2011. A agora atleta revela as dificuldades que tem para não voltar a engordar e recorda o tempo em que só tinha arroz para comer.

Susana Henriques pesava 170 quilos quando entrou no Peso Pesado, SIC, em 2011. Hoje com 36 anos, pesa menos 100 quilos do que naquela altura. Susana esteve no Programa da Cristina onde admitiu que é muito difícil manter o foco. Revelou que passou um momento de miséria extrema em que apenas tinha arroz em casa e que quanod arranjou trabalho num restaurante esteve à beira de bulimia nervosa.

À Maria, Susana admite que ainda tem complexos e que está a meio caminho para atingir o corpo que pretende. Exercita-se duas vezes por dia, tem cuidado com a alimentação e garante que são os treinos que a mantêm viva. Só ainda não consegue ir à praia.

Saiu do Peso Pesado há seis anos e continuou a perder peso. O que tem sido mais difícil?

Nos momentos menos bons, continuar a ter a força mental para controlar, para me manter motivada, para manter uma alimentação saudável. Continuo a ter tendência para engordar e acho que vou ter para o resto da vida. Quando estou mais triste ou mais ansiosa tenho tendência a comer mais.

E como controla?

Felizmente tenho conseguido. Tenho-me focado muito no treino, passou a ser o meu refúgio. Quando ficava triste atacava o frigorífico, literalmente, hoje olho para o frigorífico duas vezes e depois vou treinar. Pego numa barra e descarrego. É o que me tem salvado.

O que tinha no frigorífico antes do programa?

Comia tudo e mais alguma coisa. Comia batatas fritas, ia a cadeias de fast food muitas
vezes, comia doces e em grandes quantidades. O arroz era o meu pecado. Hoje em dia olho para trás e custa-me perceber como é que eu pude fazer isso.

«Comecei a engordar porque tive uma depressão»

Tem vergonha de ter sido assim?

Não tenho vergonha porque tudo o que se passa na nossa vida é uma aprendizagem. Comecei a engordar porque tive uma depressão com a morte da minha mãe, há 18 anos. Comecei a comer desalmadamente. Tenho vergonha de não ter tido coragem de mudar a tempo. Chateia-me um bocadinho ter chegado aos 171 quilos. Eu era enorme.

Chorava?

Chorava. Agora choro bem menos, embora seja chorona. Sou muito emocional, muito lamechas, continuo a ter os meus momentos, mas considero que hoje em dia sou muito mais forte. Olho para trás e é impressionante ver isso. Custa-me um bocadinho olhar para trás, mas tenho muito orgulho no caminho que já percorri. Olho algumas vezes para trás para me lembrar que não quero lá voltar.

Vê vídeos, fotografias, roupas?

Vejo fotos, vídeos, guardei umas calças gigantes, da altura quando entrei no programa. Uso-as em palestras, as imagens impressionam muito mais do que  qualquer coisa que eu possa dizer, sempre que ponho à minha frente, as pessoas ficam impressionadas. Não quero voltar a ser aquela menina.

Já superou a morte da sua mãe?

Acho que nunca se supera a morte de uma mãe. Há aqueles momentos, como no Natal, no aniversário dela, em que me vou mais abaixo. Mas já lido melhor com isso.

Próxima operação será ao peito

O que tem na despensa hoje em dia?

Batata-doce, bifes de peru e de frango, peixe, fruta, arroz basmati… Sou  acompanhada por um nutricionista que é meu amigo, o Rui Calceirão. A minha alimentação é muito à base de proteína de legumes, de gorduras saudáveis.

Eliminou as sobremesas da sua alimentação?

Não, aliás, como pratico crossfit e porque continuo a ter que manter algum cuidado, tenho uma alimentação muito equilibrada durante a semana, mas tenho direito a ter o dia da asneira em que como tudo o que me apetece.

E qual é o seu pecado?

Sushi. Mas o engraçado, é que mesmo sabendo que posso comer à-vontade naquela refeição, fico com peso na consciência e nem sempre consigo comer. Ainda há pouco tempo tive o aniversário de uma amiga e aí sim, exagerei, mas fiquei maldisposta. O meu estômago já não suporta exageros.

Treina muito?

Treino todos os dias, às vezes duas vezes por dia, durante duas horas, uma hora e meia. Quando me sinto com mais energia faço treino bidiário, até porque para além
de ser treinadora e atleta de crossfit, faço competição. Agora estou parada. Tive há pouco tempo, em fevereiro, outra cirurgia para tirar pele.

Quando é que essas operações acabam?

Falta-me o peito, que já está a ser programada. Ficou partido, descaído, tem excesso de pele também. Depois falta-me parte das coxas. Tudo o que ele puder corrigir e melhorar, agradeço.

Já fez quantas cirurgias?

Fiz a abdominoplastia, aos braços, esta última foi à parte externa da coxa e ao rabo. Tem de ser devagarinho, porque são cirurgias muito invasivas, tem de ser ter muito cuidado. As peles ainda me incomodam, não só como mulher, como atleta também, é peso que está aqui que já não é meu. Estou a ser acompanhada no Hospital de Santa
Maria. Tudo o que acharem bem que eu faça, eu vou fazer.

São cirurgias com riscos?

É complicado. São anestesias gerais. Há sempre algum receio, mas acho que estou
em boas mãos.

«Raramente vou à praia»

Já não tem complexos?

Tenho, eles existem, claro. Tenho muita pele e fica feio, tenho a perna definida, do exercício, mas depois está tapado. O peito está partido e descaído, não estou muito à vontade… Houve alguns momentos em que não estava a conseguir, não era operada e isso desmotiva. E depois questionava, porque eu treino muito, mato-me a treinar, mas depois tenho as peles… E isso magoa. Acredito que quando este processo terminar vou sentir-me realmente bem comigo mesma.

Vai à praia?

Raramente vou à praia. Felizmente tenho ainda o fato de banho de quando participei no Splash (programa da SIC em que os participantes faziam saltos para a piscina), que me faz sentir menos mal. Tenho a pele pendurada e não gosto de a mostrar.

O fim de uma relação pode comprometer o processo por que está a passar?

Os finais de relações são sempre tristes e deitam sempre a baixo. Quando passei pelo fim de uma relação tive ali uns momentos em que mal saía, em que nem me apetecia treinar. Pedi ao meu treinador para apertar comigo, e desde aí que ele não me tem largado.

O facto de ainda não se sentir bem, pode ser um entrave ao amor?

Sim. Nós temos de nos sentir bem para que os outros gostem de nós. Mas acredito que quem gosta de nós, tem de gostar como somos. O facto de não me sentir totalmente bem põe entraves à relação.

Sonha com casamento?

Era algo que gostava. Desde pequenina que idealizo de alguma forma. Mas uma coisa
de cada vez. Estou muito focada em trabalhar, sou muito apaixonada pelo que faço, nunca pensei que ia dar aulas de crossfit. A minha vida é treinar e treinar os outros.

E ser mãe?

É um sonho. Quero muito ser mãe, sentir que tenho a minha família, mas com calma.

Texto: Ana Lúcia Sousa; Fotos: Zito Colaço e Redes Sociais; Agradecimentos: Magnific nails e Crossfit LX

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