Nacional

Mãe de Valentina soube da morte da filha pela TV e revela as últimas palavras que ouviu da menina

30 Junho, 2020

Sónia Fonseca contou em entrevista à SIC as últimas palavras que trocou com a filha e suspeita que algo se passou dentro de casa. «Penso que foi alguma coisa que ela viu».

Quase dois meses depois do homicídio da pequena Valentina, de 9 anos, ter chocado o país, a mãe da menina, Sónia Fonseca, resolveu falar pela primeira vez sobre a morte da filha na SIC. A criança desapareceu de casa do pai, em Atouguia da Baleia, Peniche, a 7 de maio, e, três dias depois, o corpo foi encontrado num eucaliptal na Serra D’el Rei, em Peniche.

O pai, Sandro Bernardo, e a madrasta, Márcia, encontram-se em prisão preventiva por serem os principais suspeitos de homicídio e ocultação de cadáver da menina. Aguardam julgamento.

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A última conversa com a filha

No Casos de Polícia do Jornal de Noite desta terça-feira, 30 de junho, Sónia Fonseca recordou a última vez que falou com a filha, no Dia da Mãe, a 3 de maio. «Disse-me que estava tudo bem. Perguntei-lhe se queria que fosse buscá-la para passar um tempo em casa e ela respondeu que não. Que estava tudo bem, que estava a portar-se bem». A menina despediu-se com um beijinho, referiu que a mãe era «uma chata» e acrescentou: «gosto muito de ti».

Num discurso calmo, Sónia revelou que  não compreende o que levou Sandro e Márcia a assassinar a filha, mas que suspeita que algo se passou dentro de casa. «Penso que foi alguma coisa que ela viu e que ele [Sandro] com medo que ela dissesse alguma coisa, calou-a. Porquê? É aquela resposta que ainda me falta.»

Valentina vivia com a mãe no Bombarral, mas encontrava-se em casa do pai porque tinha melhores condições para ter acesso à telescola. Sónia soube que a filha estava desaparecida na manhã do dia 7 de maio depois de ter reparado que tinha duas chamadas não atendidas de Márcia, madrasta da menina, assim como da GNR de Peniche e outras da sua mãe. Ligou para Márcia e foi ela quem lhe comunicou que Valentina tinha desaparecido. Vestiu qualquer coisa e deslocou-se rapidamente para a Atouguia da Baleia.

Sónia soube da morte da filha pela televisão

Sandro e Márcia contaram-lhe que Valentina se tinha deitado por volta das 10h00 da noite e que, por volta das 1 da manhã o pai ouviu um barulho, levantou-se  e foi tapá-la, às 8h00 do dia seguinte deram pela falta da criança, mas contaram versões diferentes à GNR e a Sónia. «A mim disseram-me que tinha trancado a porta, mas deixaram as chaves na porta.» Às autoridades contaram que «não tinham trancado a porta.»

Sónia soube da morte da filha pela televisão. Quando foi revelado que tinham sido detidos dois suspeitos, a mãe de Valentina não equacionou a hipótese de a menina ter morrido. Só quando revelaram que tinha encontrado um corpo, Sónia percebeu. «Disse que não era a minha filha,  que a minha filha tinha que estar viva», contou. Quando saiu de casa da tia, foi a cambalear e caiu no chão. «Não tinha forças. Depois foi quando disseram  quem tinha feito o que fez e como o tinham feito».

Sónia contou ainda que Valentina saia de casa do pai feliz e perguntava sempre quando regressava. «Daí ter confiado nela. Dizia-me que em casa do pai tinha os manos, ia à praia com o pai e tinha a ‘minha Márcia’. Ela afirmava que tinha duas mães».

Texto: Carla S. Rodrigues

Fotos e vídeos: Tito Calado e Zito Colaço

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