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Pedro Barroso sobre papel em Golpe de Sorte: Senti que podia arriscar e que estava seguro»

15 Setembro, 2020

Pedro Barroso é um dos grandes reforços da quarta temporada de Golpe de Sorte e a SIC ‘ofereceu-lhe’ mais um papel de grande intensidade dramática.

Pedro Barroso é um dos grandes reforços da quarta temporada de Golpe de Sorte e a SIC ‘ofereceu-lhe’ mais um papel de grande intensidade dramática. O ator interpreta o papel de José Castro, um negociante de ferro velho, que usa a sucata para esconder um negócio obscuro: a exploração de jovens marginalizados que trabalham para ele a troco de abrigo e proteção.

«É nesta arritmia e intensidade que eu gosto de trabalhar. Foi um ótimo desafio da parte do Daniel [Oliveira] e da equipa da Vera Sacramento [autora da série]», começou por dizer à margem da apresentação deste projeto.

Pedro Barroso confessou ainda que, quando teve contacto com os primeiros episódios, ponderou se devia ou não fazer esta personagem. «Quando comecei a ver os primeiros guiões, lembro-me de ter sentido um pouco de dúvida… Voltar aqui a trabalhar a máquina [aponta para o coração]… Um ano fora… será que sou capaz?», questionou. Mas as dúvidas duraram pouco: «Esta palavra que eles pregam tanto da ‘família’… Só assim é que consegues trabalhar neste registo. E foi logo a primeira reunião com o Daniel que fez toda a diferença. É muito bom sentires-te bem acompanhado, bem guiado. Foi uma aposta de risco. A expressão certa é ‘a carne toda no assador’, e eu senti que ia crescer como ator. Senti que podia arriscar e que estava seguro para arriscar».

Pedro Barroso tirou os dentes e dormiu na sucata

Na última novela que fez, A Herdeira, Pedro Barroso interpretou o papel de Roni, um cigano que apaixonou os telespetadores e que, conforme o próprio já confessou, o deixou também a ele apaixonado. Mas o ator prefere não fazer comparações entre estes dois papeis.

«É mais fácil aceitares um Roni por ser uma história de amor. Aqui é um antagonista puro e duro. Para mim, são as personagens que me dão mais gosto», diz, revelando ainda que, à semelhança do que fez com Roni – conviveu de perto com a comunidade cigana e aprendeu algumas expressões da cultura – também agora se entregou de corpo e alma a este José Castro. «Foi uma maluquice, desde querer ir ver a sucata, querer ir dormir para estúdio…», começou por contar, acrescentando que foi ainda mais longe na interpretação deste vilão: «Houve um dia que cheguei lá e disse que ia tirar os dentes da frente. Tirei os meus dentes, as facetas, e meti dentes com a minha equipa de dentistas. Eu não acredito num vilão com os dentes todos branquinhos».

Pedro Barroso contou ainda que, ao longo das gravações – que terminaram a 31 de julho – contou com a ajuda de um psicólogo «para ajudar a trabalhar a personagem». «Há um crescendo da esquizofrenia ao alcoolismo», contou sobre o ‘seu’ José Castro.

«Eu acho que nunca tinha co-habitado nesta energia tão intensa. Tive dias em que sai mais balançado do estúdio. Uma das coisas que me salvou foi sempre a minha rotina. 6H30 da manhã no ginásio e muitas vezes fui correr. Havia pessoas que iam correr comigo à uma da manhã», afirmou, sublinhando ainda que houve cenas – como a que o público assistiu no primeiro episódio, em que abandonou um bebé num caixote de lixo – sobre as quais preferiu não pensar muito. «Aconteceu, deixei e fui-me embora. Disse ‘não quero olhar’. Houve cenas muito intensas», sublinhando que já deixou para trás este grande vilão de Golpe de Sorte: «Já despi o Castro a caminho de Fátima».

O estado de saúde do afilhado

Recorde-se que, depois de terminadas as gravações, o ator foi a pé ao Santuário de Fátima, pedir pelo afilhado, Périto, de apenas quatro anos, que luta contra um tumor no cérebro que o deixou cego.

«É uma lição de vida. Os médicos não dizem nada, é a forma mais justa… Mas eu acredito que sim… São quatro, cinco, seis ou sete semanas até poder despertar alguma visão», contou sobre o menino, que conheceu durante as gravações de A Herdeira e que se tornou numa das pessoas mais importantes da sua vida.

«Está um miúdo muito bonito, mais mimoso ainda. As crianças adaptam-se e isso é um processo que é mágico. Nós complicamos muito as coisas e eles simplificam. Ele só quer é dar beijos e abraços e ser feliz.», termina, visivelmente emocionado.

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Texto: Patrícia Correia Branco; Fotos: Nuno Moreira

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