Saúde e Bem-Estar

Ansiedade: Como livrar-se dele e dar a volta por cima. Entrevista a especialista

31 Agosto, 2020

Ansiedade

Tal como o amor, a ansiedade é um fogo que arde sem se ver e que nos consome num estado de nervosismo geral que chega a ser incapacitante.

Ansiedade. Afeta grande parte da população mundial e muita gente nem percebe do que sofre… É viver com uma agitação constante, um medo permanente e incapacitante. Estivemos à conversa com a Dra. Rosa Basto, que nos tira um peso de cima.

A ansiedade é um sinal de que a determinada altura da nossa vida perdemos o rumo?

A ansiedade é um estado normal e funcional quando estamos perante um evento difícil ou ameaçador. Quando esse estado aumenta de intensidade e passamos a ter medo de tudo, então deixa de ser funcional e passa a ser patológico. Assim sendo, a pessoa deixa de se sentir segura e sente o futuro como uma ameaça. Perante esta sensação, o medo deixa de ser real e começa a ser fomentado pela ameaça constante que não existe, é apenas um medo irreal.

Pode este sentimento ligado às emoções adoecer-nos fisicamente?

Sem dúvida. Corpo e mente estão intimamente ligadas. As sensações constantes associadas ao medo (emoção básica) vão refletir-se no corpo e a doença física aparece.

Mas como é que podemos controlar a ansiedade?

Gosto mais de dizer libertar a ansiedade em vez de controlar. Quando controlamos alguma coisa significa que ela se mantém. É necessário que as pessoas percebam que a ansiedade aparece quando fazemos mais do que aquilo que aguentamos. É fundamental que todos nós tenhamos tempo para o nosso descanso sem estarmos constantemente a “correr”, empurrando a vida com a barriga para a frente. Mais do que qualquer outra coisa, é importante que as pessoas vivam o agora, o presente. Terem tempo para descansar, para conviver, ter um hobby, brincar mais, dançar, fazer desporto…

Sente, pela sua experiência, que este 2020, com tudo o que está a acontecer, nos está a deixar ainda mais ansiosos?

A pandemia da Covid-19 deixou muitas pessoas afetadas com muitos medos. A insegurança envolvida em emoções de medo, injustiça, revolta, frustração, entre outras, veio contribuir para aumentar a ansiedade. Se muitos já sofriam deste mal, agora este sofrimento agudizou ainda mais os casos de ansiedade.

Somos as vivências que “carregamos”?

Claro que sim. Nós somos aquilo que comemos e aquilo que pensamos. As vivências são experiências da nossa história de vida. Quando as experiências são menos boas, é necessário resolver esses conflitos interiores e deixar de andar sempre a carregar esse fardo. As pessoas que aprendem a relativizar mais a vida são naturalmente mais felizes. A sabedoria de estar psicologicamente bem é saber trabalhar os medos e conflitos interiores, não permitindo que eles aumentem de tamanho.

De que forma podemos nós ultrapassar ou aprender a viver com sentimentos como a dor, a culpa, um permanente nó na garganta?

Os sentimentos de dor, culpa, raiva, revolta e outros não são para aprendermos a conviver com eles, mas sim resolvê-los. Quando resolvemos os nossos conflitos não existe nenhum nó na garganta. Como se resolve? Cuidar mais da nossa pessoa e irmos ao encontro daquilo que nos faz sentir bem.

As depressões, cada vez mais comuns, surgem porque não nos escutámos a tempo?

Quando não escutamos os sinais e os sintomas, a mente e o corpo adoecem. É fundamental percebermos o que se está a repetir como padrão. Tomar consciência do que se está a passar é meio caminho andado. Negar nunca ajuda na solução. As pessoas que sofrem de depressão têm um sofrimento atroz. Estão, na maior parte das vezes, viradas para o passado.

Quando nos sentimos a sufocar (seja por causa da ansiedade ou acontecimentos traumatizantes), respirar é o primeiro passo?

Todos nós nascemos a saber respirar. Mas, com a pressa da vida na sociedade competitiva em que vivemos, vamos desaprendendo a fazer algo que nos é tão natural – respirar bem. Este é um exercício fundamental para libertar as toxinas do nosso corpo e levar oxigénio para as nossas células.

Como podemos ir mais a fundo no nosso processo de cura?

Utilizo a hipnose clínica como uma das técnicas principais no meu método de trabalho – Protocolo Diamante. Com a hipnoterapia, o paciente permite-se ir com mais facilidade à origem dos seus conflitos. Durante o transe hipnótico faz uma viagem na sua linha do tempo, levando recursos importantes para aqueles momentos difíceis e muitos deles traumatizantes. Outra técnica que também uso nestes casos é a regressão na idade. Em transe hipnótico, a pessoa pode regredir ao momento onde tudo aconteceu. Ao trabalhar os recalcamentos, a carga emocional negativa é libertada, dando lugar à paz interior.

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O poder das decisões

Quando a ansiedade nos trava a marcha e nos impede de avançar na vida, o que podemos fazer? A Dra. Rosa Basto dá-nos a resposta: “A comunicação interna é fundamental. Trocar a frase ‘a nossa ansiedade’ por ‘esta ansiedade’ que me tem acompanhado. Porquê? Porque quando nos referimos à ansiedade como nossa ela terá mais dificuldade em ir embora. Como já referi mais acima, é importante tirar mais algum tempo para o bem-estar pessoal. Também parar para pensar qual o padrão que se está a repetir na sua vida, ao qual não está a dar importância. Pior do que isso é quando as pessoas correm tanto de um lado para o outro, pondo de lado a sua própria essência. Existem três decisões importantes para colocar a si próprio:

  1. Decidir o que é realmente importante para si.

2. Decidir qual a importância que quer dar à opinião dos outros.

3. Decidir quais as estratégias que tem e quer aprender para levar a cabo o que realmente lhe faz bem e é importante para si.”

Texto: Carla Silva Santos

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