Saúde e Bem-Estar

Cancro Colorretal: A importância do exame a partir dos 50

22 Janeiro, 2020

O número de diagnosticados deste tumor está a aumentar, sobretudo nos homens. Há que dar atenção ao problema e perceber que na comida pode estar a solução para a prevenção.

Os especialistas e organizações, como a Organização Mundial de Saúde (OMS), atribuem o aumento deste tipo de cancro a um padrão alimentar inadequado e à escassez de rastreios. Sara Torcato Parreira, enfermeira especialista, e Ana Rita Lopes, nutricionista, explicam à nossa revista que estratégias adotar para combater este flagelo. Falemos especificamente sobre o cancro colorretal, um mal silencioso, que apresenta poucos ou nenhuns sinais numa fase inicial, podendo evoluir sem que se aperceba.

Quando surgem sintomas, como dores abdominais, perda de sangue nas fezes e/ou emagrecimento, e é efetivamente detetado um cancro colorretal, a probabilidade de cura pode decrescer para 50%.

É, por isso, fundamental a realização de exames de rastreio a partir dos 50 anos (ou antes, se houver história deste tipo de tumor na família ou fatores de risco) para o despiste de lesões pré-malignas ou malignas que, se detetadas numa fase inicial, poderão tornar o prognóstico mais favorável.

Desporto e legumes

Outra das formas de prevenção da doença é a adoção de um estilo de vida mais saudável. É sabido que a manutenção de um peso saudável e a prática de exercício físico estão associadas a um menor risco de desenvolvimento de cancro do cólon. De acordo com a OMS, o consumo excessivo de carne e de gorduras saturadas constitui um fator de risco para o desenvolvimento de cancro colorretal. Em contrapartida, uma dieta com maior consumo de frutos, vegetais e fibras diminui o risco de desenvolvimento da doença.

Em Portugal, o aumento do número de casos de cancro colorretal parece estar associado a uma diminuição da adesão à dieta mediterrânea. É necessário apostar no consumo de sopa, frutos, vegetais e peixe fresco; preferir o azeite em vez de manteiga; evitar o consumo excessivo de bebidas alcoólicas; reduzir o consumo de sal, gordura e açúcar. Há que ter, no entanto, atenção à ingestão de alimentos também muito típicos dos portugueses, como o presunto e os enchidos, pois, de acordo com um comunicado recente da OMS, o seu consumo regular poderá ser um fator de risco para o desenvolvimento de cancro do aparelho digestivo.

Comer mais vezes por dia

Para as pessoas com diagnóstico de cancro do cólon ou do reto, uma alimentação adequada e ajustada é uma aliada ao tratamento (seja ele cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, ou uma combinação destes), pois pode ajudar a controlar alguns dos efeitos secundários. Por exemplo, a ingestão de alimentos ricos em proteína, vitaminas e minerais é extremamente
importante para manter a massa muscular e o normal funcionamento do organismo. Os hidratos de carbono também irão ajudar a produzir energia; e a hidratação é, igualmente, fundamental.

Sabe-se também que, em vez de esperar por grandes refeições (como almoço e jantar), comer menos mas mais vezes ao dia ajuda a evitar a perda de peso involuntária e a controlar sintomas (como náuseas ou perda de apetite).

Para pessoas que tenham uma ostomia do aparelho digestivo, isto é, uma abertura criada na parede abdominal, através da qual uma parte do intestino é trazida até ao exterior, terminando num saco no qual se acumulam as fezes, aplicam-se os mesmos princípios. No entanto, situações como diarreia, flatulência e odor podem gerar alguns constrangimentos para estas
pessoas.

Nestes casos, e individualmente, cada pessoa irá perceber com o tempo quais os alimentos que tolera melhor. Contudo, uma das recomendações passa por experimentar novos alimentos em casa, um de cada vez, e verificar a reação aos mesmos.

Alimentos a preferir

Em termos gerais, no caso de flatulência, pode ser importante evitar bebidas alcoólicas e bebidas com gás, leguminosas, frutos secos e oleaginosos, marisco, moluscos e alimentos fritos, ricos em gordura. Para o mau odor podem contribuir alimentos como feijão, couves, cebola e alho. Neste sentido, para neutralizar o odor, poderá optar-se por alimentos/bebidas como iogurtes, chá de salsa ou de hortelã, chá de noz-moscada e erva-doce, assim como adicionar salsa à sopa e aos cozinhados. Em pessoas com ostomia, a intolerância à lactose poderá tornar-se uma realidade e a ingestão de fibra na dieta também deverá ser devidamente reajustada. Assim, o aconselhamento especializado é fulcral, de forma a ser possível estabelecer uma dieta adequada e adaptada à nova condição, mas que seja variada e prazerosa.

Recomenda-se, então, que a pessoa com diagnóstico de cancro colorretal aposte numa alimentação variada. Deverão, no entanto, ser evitadas dietas extremas, com grande restrição alimentar, pois estas estão associadas a um pior prognóstico.

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Texto: Revista Maria; Fotos: iStock

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