Saúde e Bem-Estar

Novo tratamento para miomas pode salvar o útero!

11 Novembro, 2019

Este é um problema que afeta um elevado número de mulheres portuguesas. Felizmente, as técnicas de tratamento dos miomas estão a melhorar.

Os miomas uterinos afetam cerca de dois milhões de mulheres em Portugal e, quando sintomáticos, podem causar dor, hemorragias e degradam a qualidade de vida da mulher.

Os miomas são, aliás, a maior causa do recurso a histerectomias, ou seja, à remoção do útero. Estes são os tumores benignos mais comuns do trato genital feminino. As suas causas não são totalmente conhecidas, apesar de alguns fatores poderem estar relacionados com a doença.

A realidade é que entre 20 a 40 por cento das mulheres que têm miomas estão em idade reprodutiva. Mas há um novo tratamento que surge como alternativa à remoção uterina.

Qualidade de vida melhorada

Um estudo europeu, que avalia a nova abordagem terapêutica aos miomas uterinos, revela que, das 1473 mulheres envolvidas, cerca de 61 por cento não teve de se submeter a qualquer cirurgia de remoção de miomas uterinos ou remoção total do útero.

Estes dados publicados pela European Journal of Obstetrics & Gynecology and Reproductive Biology indicam que os sintomas moderados e severos dos miomas uterinos referidos pelas doentes estudadas, como é o caso de hemorragias, anemia, dores abdominais e sintomas de pressão, diminuíram significativamente com a administração do acetato de ulipristal, único tratamento médico não invasivo, que igualmente melhorou a qualidade de vida destas mulheres.

“Este estudo comprova que o novo tratamento de acetato de ulipristal pode permitir uma terapêutica conservadora e evitar a remoção do útero.Esta mudança no tratamento dos miomas uterinos representa uma evolução importante em termos médicos com um impacto positivo na vida da mulher. Esta abordagem conservadora no tratamento dos miomas tem um potencial impacto positivo em termos de gastos para o Serviço Nacional de Saúde na medida em que se evitam os custos diretos com as
cirurgias, assim como os custos indiretos atribuíveis, ao período de recuperação pós-operatória”, avança Margarida Martinho, presidente da Secção Portuguesa de Endoscopia Ginecológica da Sociedade Portuguesa de Ginecologia.

Os países envolvidos neste estudo foram Portugal, Alemanha, França, Reino Unido, Roménia, Suécia, Polónia, Hungria, Eslovénia e Áustria.

Sintomas e diagnóstico

Apesar de se manifestar numa enorme percentagem de mulheres, mais do que metade não apresenta sintomas. Os principais desconfortos produzidos pelo mioma, à medida que se desenvolve, podem ser menstruação irregular– forte e por períodos prolongados –, o que pode levar à anemia, cólicas, hemorragias, dores (abdominais, pélvicas e na relação sexual) e problemas urinários.

O problema pode ser detetado no exame de toque ginecológico de rotina ou através de uma ecografia pélvica. Este exame revela a existência de miomas, a localização, e o tamanho de cada um. Recorde- se que é importante todas as mulheres façam uma consulta anual de ginecologia e em caso de dúvida dos sintomas, é sempre melhor procurar ajuda, em vez de esperar que passem.

ATENÇÃO aos fatores de risco

No que diz respeito a miomas, a idade é um importante fator, uma vez que, é significativamente mais frequente entre os 40 e os 50 anos. Segundo os especialistas, para além da idade, as mulheres com obesidade tendem a ser mais atingidas com este problema, bem como as mulheres de raça negra.

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Texto: Catarina Martins

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