Nacional

Ex mulher de Nicolau Breyner revela que ator a afastou para morrer sozinho

14 Março, 2019

Em lágrimas, Mafalda Bessa recordou Nicolau Breyner e como foram os dias que antecederam a morte do ator. Os dois separaram-se por amor.

Mafalda Bessa recorda Nicolau Breyner com quem foi casada 10 anos, numa entrevista a Júlia Pinheiro, na SIC. A mãe de Tiago Teotónio Pereira revela que, três anos depois, ainda não superou a perda e esclarece o motivo de se terem separado.

«Não vivíamos juntos quando ele morreu. Ele separou-se por amor, porque o Nico estava sentir-se a envelhecer e achava que eu era uma miúda, aos olhos dele eu era sempre uma miúda. Ele achava que eu tinha de seguir com a minha vida, estava convencido que eu ia arranjar um miúdo», disse Mafalda, de 50 anos. Recorde-se, que se Nicolau Breyner fosse vivo teria 78 anos.

Mafalda conheceu Nicolau quando tinha 14 anos através dos pais e recorda os dias e noites de loucura que o marido e o pai viveram à época. O amor entre os dois só aconteceu quando Mafalda tinha 38 anos depois de um jantar com amigos.

«Há um dia, passados muitos anos, tinha 38 anos, em que eu estava a separar-me do meu segundo marido, fomos jantar com um casal amigo e nós estávamos a desabafar eu do divórcio e ele das 300 mulheres que tinha porque o Nico era assim, sempre umas em cima das outras», ri-se. E continua: «Quem estava connosco disse que estávamos bem era um para o outro. Saímos do jantar e ficamos juntos até ser possível.»

«Ele era muito teimoso para ir ao médico»

Mafalda revela que havia sinais de que Nicolau Breyner estava doente. «Ele era muito teimoso para ir ao médico. Acho que ele fez, e tentou fazer uma coisa que não estava com forças para levar até ao fim. Isto de me afastar por amor acho que foi uma coisa tão forte e que exigia tanto dele, que ele não estava preparado para sentir essa dor», afirma para depois continuar.

«Ele pensou que se me afastasse se ia sentir aliviado, porque para ele eu era um peso. Mas ele não estava preparado, para além do trabalho e tudo mais ele estava infeliz. isso refletiu-se. Ele ia muitas vezes almoçar a um restaurante onde eu estava a trabalhar. Eu ia com ele fazer a sesta e ele deixava o carro a 10 passos do restaurante.10 passos a subir não custa para alguém saudável. Mas ele cansava-se e pedia ao motorista para o ir buscar. Eu insistia para ele ir ao médico, e perguntava pelos medicamentos… ele era muito desleixado, como normalmente eu estava em casa eu obrigava-o… desta vez não estava lá», recorda.

Mafalda não se sente culpada e recorda os dias que antecederam a morte de Nicolau. «Nós normalmente almoçávamos ao fim-de-semana, e nesse sábado não íamos faze-lo porque ele à tarde tinha uma inauguração qualquer. Liguei-lhe para combinar se almoçávamos no domingo, e ele não me ligou de volta. Não pensei mais nisso. Ele morreu na segunda-feira. Não vou pensar que se tivéssemos almoçado no domingo e eu tivesse lá ficado em casa… Custa-me que ele tenha morrido sozinho», lembra.

Tinham combinado morrer num acidente

A ex-mulher de Nicolau Breyner conta ainda que tinha combinado morrer com Nicolau Breyner num acidente de carro. «Eu nunca quis por essa hipótese, eu dizia que ele não ia morrer. E dizia-lhe que tínhamos de morrer os dois num desastre… afinal ele fez o que quis», afirma.

Ser deixada por amor não a magoou, porque Mafalda achava que tinha tempo para lhe mostrar que ele estava errado. «Acho que ele a certa altura percebeu, tínhamos os dois noção… Algumas pessoas próximas dele disseram-me que ele dizia que íamos ficar juntos. Não aconteceu. Acho que ele não estava feliz. Se ele percebeu ou pensou que ia morrer também pensou que não fazia cá falta nenhuma. Que é uma pena, ele faz muita falta», diz.

Três anos depois da morte de Nicolau Breyner, Mafalda ainda não superou a perda e garante que não quer mais ninguém na sua vida. «Não está resolvido nem nunca vai estar. É uma mistura de ‘só vou estar bem quando estiver ao pé dele’, mas acho que isso não vai acontecer porque nós morremos e morremos. Tenho uma imensa sorte nos filhos, saúde e amigos que tenho, mas falta-me o tudo, que era ele. Aquele abraço de que as pessoas falam…», conta.

Mafalda revela que só Nicolau tinha a capacidade de cuidar dela e que percebia sempre quando ela estava a precisar. «Ele muitas vezes olhava para mim e dizia-me que estava naqueles dias em que queria ser pequenina para me pôr dentro do bolso dele. Falta-me aquele bolso. E se hoje lhe pudesse dizer akguma coisa era isso que dizia: «Deixa-me ir para o teu bolso», diz de lágrimas nos olhos.

«O que eu vivi eu não vou viver mais eu já vivi tanto e tão bom que é impossível… nem quero, não existe ninguém, como o Nico. Não quero. Não tenho necessidade nenhuma. Tenho saudades de me rir com ele, estar calada com ele», termina.

Discussões acabavam a comer bolachas

Como qualquer casal, Nicolau Breyner e Mafalda Bessa também tinham as suas discussões. «Ele era intenso nas discussões, levanta-se dizia três palavrões, ia comer uma bolacha e depois voltava e estava tudo bem. Eu nunca fui muito de responder, não tenho paciência, não sou de argumentar», afirma.

Mafalda Bessa foi a quinta mulher de Nicolau Breyner e a última. Apesar separados na altura da morte do ator, os dois continuaram amigos e mantinham uma grande proximidade. Mafalda ia dormir a sesta a casa dele.

Todos os dias lhe levava o pequeno-almoço à cama

Mafalda recorda com saudade e de lágrimas nos olhos alguns dos momentos. «Todos os dias da nossa vida ele me levava o pequeno almoço à cama. Todos os dias. Nem que ele fosse para uma tournée, ou se levantasse cedo para filmar. Punha-me o pequeno almoço na cama é às vezes nem me acordava. Ele mimava-me muito. Ele dizia que estava a criar um mostro, mas criou foi alguém que tem muitas saudades. Ele cuidava de mim», sublinha.

Mafalda partilha que o ator era um homem romântico, ao contrário da própria. «Ele estava sempre a queixar-se, às vezes perguntava-me porque não lhe dava beijinhos. Dizia-me que só mostrava que gostava ou com os cães ou com os miúdos», ri-se. Quando Júlia pergunta como Mafalda o define a resposta vem na ponta da língua.

«Ele era assim especial. O Nico nasceu para se divertir e era muito inteligente e sábio. Ele era muito feliz. Não consigo encontrar mesmo um defeito de carácter mau. Se calhar as pessoas sentem isso, é muito espiritual o que estou a tentar passar, é uma certa pureza. Claro que tinha defeitos normais, manias e teimosias, mas não é isso que passa», conta.

Texto: Redação Win – Conteúdos Online

Siga a Revista Maria no Instagram

partilhar | 0 | 0

 
Top