Amor e Sexo

Separação: 5 atitudes que podem ditar o fim da sua relação

29 Dezembro, 2019

As taxas de divórcio nunca foram tão altas como na última década. A psicóloga Catarina Lucas desvenda os erros mais comuns que os casais cometem.

As taxas de separação nunca foram tão altas em Portugal, como nos últimos dez anos. De acordo com a base de estatísticas nacionais Por Data, em 1980, a percentagem de divórcios por 100 casamentos era de 8 por cento, em 2000, era de 30 por cento e, em 2018, passou para 58 por cento.

Os dados estatísticos mais recentes provam, assim, que mais de metade dos casamentos acaba em divórcio. Paralelamente, são também muitas as relações que não evoluem para o casamento, nem tão pouco perduram no tempo.

Por outro lado, as pessoas casam-se cada vez mais tarde. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística, a idade média do primeiro casamento, em 2018, situou-se em 33,6 anos para os homens e 32,1 anos para as mulheres, face a 33,2 anos e 31,6 anos, respetivamente, em 2016.

O site da revista Maria falou com a psicóloga Catarina Lucas, também terapeuta de casal,  e perguntamos-lhe quais são os erros mais comuns que os casais cometem que levam à rutura, quer na fase de namoro, quer após o casamento.

1. Apressar a relação

«Um dos erros que tenho identificado muito é nós apressamos tudo. Hoje em dia, pensamos hoje que ‘queremos viver com aquela pessoa’ e amanhã estamos a viver. Não temos tempo para ‘sonhar’ e para construir a relação. É tudo muito rápido. Hoje quero, amanhã tenho. A conjutura económica atual também tem levado muito a isto. As pessoas não conseguem pagar duas rendas e, rapidamente, acabam por irem viver juntas, sem o verdadeiro espírito de compromisso.»

2. Ausência de compromisso

«Há, de facto, uma dificuldade no comprometimento que passa também por toda a forma como a sociedade está organizada hoje em dia. Já não há trabalhos para a vida, nós vivemos muito a curto prazo, hoje compramos uma casa para amanhã a vendermos, hoje trabalhamos em Portugal e amanhã estamos a trabalhar em Londres, vamos vivendo e depois logo se vê. Nós comprometemo-nos com muito pouca coisa na vida, de uma forma geral.»

3. Não respeitar a individualidade do outro

«Muitos casais vivem numa ótica de «ataque e contra ataque», vêem-se como inimigos e não como ‘uma equipa’. Uma equipa trabalha para o mesmo sentido e, muitas vezes, os casais entram nesta lógica de ‘atacar e contra-atacar’ e, acima de tudo, de provar que estão certos. A outra pessoa tem a sua individualidade, tem as suas características e os seus defeitos, e nós também temos de saber aceitar isso. A outra pessoa não se vai comportar da forma como nós queremos ou esperamos. Não respeitamos a individualidade da outra pessoa e somos pouco empáticos, colocamo-nos pouco no lugar do outro.»

4. Intromissão da família e dos amigos 

«Em situações de conflito, o casal deve ser assertivo e não deve falar com toda a gente sobre a crise que estão a viver porque no futuro toda a gente vai saber que passaram por aquela ‘crise’ e este é um assunto que só diz respeito ao casal. É preciso fazer uma ‘triagem’ do que é que deixamos passar e, acima de tudo, colocar limites, mesmo em relação à família. Não devemos deixar que decisões que são nossas sejam tomadas por terceiros.»

5. Ter filhos para ‘salvar’ a relação

«Outro erro comum é ter filhos para ‘salvar’ as relações. Nunca funciona. Um filho deve vir no âmbito de uma relação estável, deve ser desejado, e não deve ser uma decisão tomada ‘às três pancadas’ para colmatar alguma coisa que tenha corrido menos bem. Depois de uma separação ou de uma ‘crise’, o casal precisa de tempo para se reorganizar, para se reconstruir, para solidificar e só depois sim poderá pensar em ter um filho, se for essa a vontade do casal.»

Veja também: Psicóloga explica por que falham as relações de Casados à Primeira Vista
Texto: Sofia Santos Cardoso | Fotos: Pixabay

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