Nacional

Cirurgião plástico fala de Ângelo Rodrigues e AVISA: «É preferível ter uma perna com cicatrizes»

10 Novembro, 2019

Ângelo Rebelo encontra semelhanças entre o caso do ator e muitos que acontecem na sequência de procedimentos estéticos ilegais e deixa avisos.

Depois do susto que o deixou dois meses internado no Hospital Garcia de Orta, em Almada, Ângelo Rodrigues, de 32 anos, está em casa. Na unidade hospitalar superou várias etapas com vista a debelar uma infeção causada, alegadamente, por uma injeção de testosterona.

Os tratamentos foram agressivos e deixaram o portuense com várias marcas resultantes das operações estéticas. Agora que o pior já passou, o cirurgião plástico Ângelo Rebelo tem esperança que o que sucedeu com o ator da SIC sirva de exemplo a outras pessoas. Neste contexto, «podemos estabelecer um paralelo entre o que aconteceu e outras situações, não tão raras quanto isso, como as de preenchimento dos glúteos e de outras zonas do corpo com produtos não homologados, que circulam pelo mercado negro, que não são comercializados pelas vias legais e que, como tal, são mais baratos», refere o diretor da Clínica Milénio.

No caso do Bruno da novela Golpe de Sorte, o médico frisa não haver «uma relação direta entre o que se passou e o produto que foi usado». Salienta que «foi uma injeção de testosterona, mas também podia ter sido de penicilina, de antibiótico ou de outra substância. Houve uma bactéria, uma contaminação, que pode não ter nada a ver com o produto», recorda, referindo-se à septicemia (infeção generalizada) de que o artista foi vítima.

A estética vem em último

Ângelo Rebelo prefere, por isso, advertir para «os casos que podem ocorrer com materiais que são injetados e que não chegam a infeção», mas constituem “cerca de 20 por cento” das situações que chegam às suas mãos. «Falo de deformações do sítio onde se coloca um produto, de migrações desse produto – quando é colocado, por exemplo, no rabo e passado um tempo surge numa perna… Pessoas com sequelas de enchimentos que fizeram e que estão em fase de deformação», explana.

«Com a saúde e com o corpo, as coisas podem sair muito caras quando se anda à procura do mais barato. Falamos de produtos, mas também de cirurgias muito mal feitas», prossegue Ângelo Rebelo, admitindo que «há muitos sítios em Portugal onde se podem fazer as coisas de forma ilegal».

Salvar a vida da pessoa

Tal como aconteceu com o ator, o importante é «salvar a vida da pessoa. É isso que vem em primeiro lugar. Em segundo, interessa preservar ao máximo a função das zonas atingidas. A estética vem em último. É preferível ter uma perna com cicatrizes e conseguir andar do que ficar com uma perna toda bonita, mas que não serve para nada», termina o cirurgião plástico.

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Texto: Ana Filipe Silveira; Fotos: DR

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